5 Erros que Causam
Patologias Estruturais
em Obras
A maioria das patologias estruturais não surge do acaso — ela é resultado direto de erros cometidos durante a execução. Conheça os 5 mais comuns, suas consequências e como evitá-los desde o início da obra.
Os 5 erros mais comuns — e suas consequências
Antes de apresentar cada erro individualmente, é importante destacar que, na maioria dos casos, esses problemas não ocorrem de forma isolada. Pelo contrário, eles se combinam e se potencializam — tornando a patologia resultante ainda mais grave e, consequentemente, mais custosa de corrigir. Por isso, conhecer cada um deles em detalhe é o primeiro passo para evitá-los.
Cobrimento insuficiente das armaduras
O erro de execução mais frequente em estruturas de concreto armado no Brasil
O cobrimento é a camada de concreto que protege as barras de aço da umidade, do CO₂ atmosférico e dos agentes agressivos presentes no ambiente. Quando essa camada é executada com espessura menor do que a especificada em projeto — o que ocorre com frequência por descuido no posicionamento dos espaçadores —, o aço fica vulnerável à corrosão muito antes do tempo previsto em norma.
Uma vez que a armadura começa a se corroer, o óxido de ferro ocupa um volume até 6 vezes maior do que o metal original. Como resultado, uma pressão interna é gerada, rompendo o concreto ao redor. O efeito visível são as manchas de ferrugem, o destacamento do cobrimento e, em casos mais avançados, a perda de seção resistente das barras — comprometendo, portanto, toda a capacidade estrutural do elemento.
Corrosão de armaduras, manchas de ferrugem, desplacamento do concreto e perda progressiva da seção resistente das barras de aço
Utilizar espaçadores certificados na quantidade e posicionamento corretos, conforme a NBR 6118:2023, e verificar o cobrimento antes de cada concretagem com gabarito ou paquímetro
Excesso de água no concreto (alto fator água/cimento)
Prática comum no canteiro que compromete toda a durabilidade da estrutura
Adicionar água em excesso ao concreto é uma prática ainda muito comum nos canteiros brasileiros — geralmente justificada pela facilidade de lançamento e adensamento. No entanto, cada litro de água além do previsto no traço aumenta o fator água/cimento e reduz diretamente tanto a resistência quanto a durabilidade do concreto resultante.
Além disso, um concreto com fator a/c elevado é mais poroso, menos resistente à compressão e muito mais permeável à água e ao CO₂ — o que acelera dramaticamente o processo de carbonatação e, por consequência, a corrosão das armaduras. Da mesma forma, a retração por secagem desse concreto é maior, gerando fissuras superficiais precoces ainda durante a fase de cura. Ou seja, o erro que parecia facilitar o trabalho no canteiro passa a comprometer toda a vida útil da estrutura.
Resistência abaixo do especificado, carbonatação acelerada, fissuras de retração e permeabilidade excessiva ao longo de toda a estrutura
Controlar o traço conforme o projeto, utilizar aditivos plastificantes para melhorar a trabalhabilidade sem adicionar água e exigir ensaio de abatimento (slump test) na chegada do caminhão betoneira
Cura inadequada ou inexistente do concreto
Um dos erros mais subestimados — e de maior impacto na durabilidade estrutural
A cura do concreto é o processo de manter a umidade e a temperatura adequadas nos primeiros dias após a concretagem, permitindo que as reações de hidratação do cimento se completem corretamente. Entretanto, quando a cura é negligenciada — situação frequente em obras sem acompanhamento técnico —, a superfície do concreto seca prematuramente e as reações de hidratação são interrompidas antes de atingir a resistência de projeto.
O resultado é um concreto superficialmente fragilizado, com fissuras de retração plástica e resistência real inferior à especificada. Vale destacar que essa camada superficial comprometida é exatamente a que deveria proteger as armaduras — tornando, assim, todo o sistema estrutural vulnerável desde o primeiro dia de uso. Em suma, a cura inadequada é um erro silencioso, mas de consequências profundas e duradouras.
Fissuras de retração plástica, resistência superficial reduzida, carbonatação precoce e desagregação da camada de cobrimento em poucos anos
Manter a superfície do concreto úmida por no mínimo 7 dias consecutivos após a concretagem, com lona plástica, serragem úmida ou produto de cura química aplicado imediatamente após o acabamento superficial
Ausência de juntas de dilatação
Ignorar as movimentações térmicas e estruturais gera tensões que o concreto não consegue absorver
Toda estrutura de concreto armado se movimenta — ela se dilata com o calor, contrai com o frio e sofre deformações lentas ao longo do tempo, como fluência e retração. As juntas de dilatação são, precisamente, os elementos de projeto destinados a acomodar essas movimentações, evitando que tensões internas se acumulem e provoquem fissuras. Quando as juntas são omitidas ou executadas de forma incorreta, essas tensões não encontram alívio e se manifestam como fissuras ativas nas lajes, vigas e alvenarias.
Esse erro é particularmente comum em lajes de grandes dimensões, pisos industriais e fachadas com grandes planos contínuos de concreto. Nesses casos, as variações térmicas diárias e sazonais geram movimentações expressivas que, sem as juntas adequadas, inevitavelmente resultam em fissurações progressivas e de difícil controle a longo prazo.
Fissuras ativas e progressivas em lajes, pisos e fachadas, com tendência à reabertura mesmo após o tratamento se a junta não for corretamente instalada
Prever as juntas de dilatação em projeto conforme a NBR 6118, executá-las no espaçamento e profundidade corretos e preenchê-las com selante elastomérico compatível com os movimentos esperados
Execução sem projeto estrutural formal
O erro mais grave — e surpreendentemente ainda muito comum no Brasil
Construir sem projeto estrutural — ou seguindo apenas croquis informais sem memorial de cálculo — significa que nenhuma seção foi dimensionada, nenhuma carga foi calculada e nenhuma armadura foi especificada com base em critérios técnicos. Nesse cenário, todas as decisões são tomadas empiricamente, com base na experiência do mestre de obras. Embora isso possa funcionar em estruturas muito simples, cria riscos sérios em edificações com cargas concentradas, grandes vãos ou solos difíceis.
Além do risco imediato, a ausência de projeto estrutural formal impossibilita o diagnóstico correto de patologias futuras — afinal, não há referência técnica sobre o que foi dimensionado. Por isso, qualquer intervenção de reforço posterior se torna muito mais complexa e custosa. Em outras palavras, a economia feita ao dispensar o projeto acaba sendo paga com juros altos ao longo da vida útil do imóvel.
Subdimensionamento de elementos estruturais, flechas excessivas, fissuras generalizadas e risco de colapso progressivo em caso de sobrecargas não previstas
Contratar projeto estrutural completo com engenheiro habilitado e ART registrada no CREA antes do início de qualquer obra — independentemente do porte ou da aparente simplicidade da edificação
Custo de prevenir vs. custo de corrigir
Um dos argumentos mais concretos para investir em qualidade de execução é o comparativo econômico entre o custo de fazer certo desde o início e o custo de corrigir as patologias geradas por esses erros. Em todos os casos analisados, a diferença é expressiva — e, muitas vezes, surpreendente para quem acreditava estar economizando ao cortar atalhos no canteiro:
| Erro cometido | Custo de prevenção | Custo de correção |
|---|---|---|
| Cobrimento insuficiente | Espaçadores certificados: R$ 0,30–0,80/un. | Recuperação de concreto com armadura exposta: R$ 800–2.500/m² |
| Excesso de água no concreto | Aditivo plastificante: R$ 8–15/litro | Reforço estrutural de viga ou laje subdimensionada: R$ 3.000–18.000/elemento |
| Cura inadequada | Produto de cura química: R$ 12–25/m² | Tratamento de fissuras e recuperação superficial: R$ 150–600/m² |
| Ausência de juntas | Selante elastomérico: R$ 25–60/m linear | Tratamento de fissuras ativas recorrentes: R$ 200–900/m linear |
| Obra sem projeto estrutural | Projeto estrutural: R$ 25–80/m² de área | Reforço emergencial de estrutura subdimensionada: R$ 15.000–150.000+ |
A obra já foi executada — e agora?
Se a obra já foi concluída e há suspeita de que algum desses erros foi cometido, o caminho correto não é aguardar que as patologias se manifestem. Pelo contrário, é possível — e altamente recomendado — realizar uma inspeção técnica preventiva para verificar a condição atual da estrutura e identificar precocemente qualquer processo de deterioração em andamento. Nesse sentido, a Lemarg Engenharia oferece um conjunto completo de serviços diagnósticos e corretivos:
- Vistoria diagnóstica com laudo técnico e ART — avaliação in loco com identificação de patologias existentes e potenciais, devidamente classificadas por grau de risco
- Ensaios não destrutivos — esclerometria, pacometria e carbonatação para avaliar a qualidade do concreto e a posição das armaduras sem necessidade de demolição
- Projeto de reforço estrutural — quando necessário, elaboramos o projeto executivo de reforço adequado à patologia identificada, com memorial de cálculo e ART registrada
- Execução do reforço — realização das intervenções por equipe especializada, com acompanhamento do engenheiro responsável do início ao fim da obra
Projeto estrutural: o investimento que mais se paga em uma obra
O custo de um projeto estrutural completo representa, em média, entre 1% e 3% do valor total de uma obra. No entanto, ele é responsável por prevenir patologias que, caso não sejam tratadas a tempo, podem consumir entre 10% e 40% do valor do imóvel em intervenções corretivas. Em outras palavras, nenhum outro investimento em uma obra apresenta retorno financeiro comparável ao de um bom projeto estrutural.
Fontes e referências técnicas
Sua obra foi executada sem acompanhamento técnico?
A Lemarg Engenharia realiza vistoria diagnóstica, ensaios não destrutivos e elabora laudos técnicos estruturais com ART — identificando precocemente patologias antes que se tornem emergências.
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