5 Erros que Causam Patologias Estruturais em Obras

5 Erros que Causam Patologias Estruturais em Obras | Lemarg Engenharia
Patologias Estruturais

5 Erros que Causam
Patologias Estruturais
em Obras

A maioria das patologias estruturais não surge do acaso — ela é resultado direto de erros cometidos durante a execução. Conheça os 5 mais comuns, suas consequências e como evitá-los desde o início da obra.

9 min de leitura Leonardo Santos · Lemarg Engenharia Rio de Janeiro, RJ
Estudos do IBRACON e do IBAPE apontam que mais de 60% das patologias estruturais identificadas em edificações brasileiras têm origem em falhas cometidas durante a fase de execução — e não em problemas de projeto ou de materiais. Isso significa, portanto, que grande parte dos problemas estruturais que hoje exigem reforço estrutural ou recuperação poderia ter sido evitada com procedimentos corretos no canteiro. Neste artigo, a equipe da Lemarg Engenharia detalha os 5 erros mais comuns, explica por que eles ocorrem e mostra o que fazer para não repeti-los.

60%
das patologias estruturais têm origem em falhas de execução, segundo dados do IBRACON
18%
são causadas por falhas de projeto — frequentemente pela ausência de projeto estrutural formal
o custo de correção de patologias estruturais é, em média, três vezes maior do que o custo de prevenção

Os 5 erros mais comuns — e suas consequências

Antes de apresentar cada erro individualmente, é importante destacar que, na maioria dos casos, esses problemas não ocorrem de forma isolada. Pelo contrário, eles se combinam e se potencializam — tornando a patologia resultante ainda mais grave e, consequentemente, mais custosa de corrigir. Por isso, conhecer cada um deles em detalhe é o primeiro passo para evitá-los.

01

Cobrimento insuficiente das armaduras

O erro de execução mais frequente em estruturas de concreto armado no Brasil

O cobrimento é a camada de concreto que protege as barras de aço da umidade, do CO₂ atmosférico e dos agentes agressivos presentes no ambiente. Quando essa camada é executada com espessura menor do que a especificada em projeto — o que ocorre com frequência por descuido no posicionamento dos espaçadores —, o aço fica vulnerável à corrosão muito antes do tempo previsto em norma.

Uma vez que a armadura começa a se corroer, o óxido de ferro ocupa um volume até 6 vezes maior do que o metal original. Como resultado, uma pressão interna é gerada, rompendo o concreto ao redor. O efeito visível são as manchas de ferrugem, o destacamento do cobrimento e, em casos mais avançados, a perda de seção resistente das barras — comprometendo, portanto, toda a capacidade estrutural do elemento.

⚠ Patologia gerada

Corrosão de armaduras, manchas de ferrugem, desplacamento do concreto e perda progressiva da seção resistente das barras de aço

✔ Como evitar

Utilizar espaçadores certificados na quantidade e posicionamento corretos, conforme a NBR 6118:2023, e verificar o cobrimento antes de cada concretagem com gabarito ou paquímetro

02

Excesso de água no concreto (alto fator água/cimento)

Prática comum no canteiro que compromete toda a durabilidade da estrutura

Adicionar água em excesso ao concreto é uma prática ainda muito comum nos canteiros brasileiros — geralmente justificada pela facilidade de lançamento e adensamento. No entanto, cada litro de água além do previsto no traço aumenta o fator água/cimento e reduz diretamente tanto a resistência quanto a durabilidade do concreto resultante.

Além disso, um concreto com fator a/c elevado é mais poroso, menos resistente à compressão e muito mais permeável à água e ao CO₂ — o que acelera dramaticamente o processo de carbonatação e, por consequência, a corrosão das armaduras. Da mesma forma, a retração por secagem desse concreto é maior, gerando fissuras superficiais precoces ainda durante a fase de cura. Ou seja, o erro que parecia facilitar o trabalho no canteiro passa a comprometer toda a vida útil da estrutura.

⚠ Patologia gerada

Resistência abaixo do especificado, carbonatação acelerada, fissuras de retração e permeabilidade excessiva ao longo de toda a estrutura

✔ Como evitar

Controlar o traço conforme o projeto, utilizar aditivos plastificantes para melhorar a trabalhabilidade sem adicionar água e exigir ensaio de abatimento (slump test) na chegada do caminhão betoneira

03

Cura inadequada ou inexistente do concreto

Um dos erros mais subestimados — e de maior impacto na durabilidade estrutural

A cura do concreto é o processo de manter a umidade e a temperatura adequadas nos primeiros dias após a concretagem, permitindo que as reações de hidratação do cimento se completem corretamente. Entretanto, quando a cura é negligenciada — situação frequente em obras sem acompanhamento técnico —, a superfície do concreto seca prematuramente e as reações de hidratação são interrompidas antes de atingir a resistência de projeto.

O resultado é um concreto superficialmente fragilizado, com fissuras de retração plástica e resistência real inferior à especificada. Vale destacar que essa camada superficial comprometida é exatamente a que deveria proteger as armaduras — tornando, assim, todo o sistema estrutural vulnerável desde o primeiro dia de uso. Em suma, a cura inadequada é um erro silencioso, mas de consequências profundas e duradouras.

⚠ Patologia gerada

Fissuras de retração plástica, resistência superficial reduzida, carbonatação precoce e desagregação da camada de cobrimento em poucos anos

✔ Como evitar

Manter a superfície do concreto úmida por no mínimo 7 dias consecutivos após a concretagem, com lona plástica, serragem úmida ou produto de cura química aplicado imediatamente após o acabamento superficial

04

Ausência de juntas de dilatação

Ignorar as movimentações térmicas e estruturais gera tensões que o concreto não consegue absorver

Toda estrutura de concreto armado se movimenta — ela se dilata com o calor, contrai com o frio e sofre deformações lentas ao longo do tempo, como fluência e retração. As juntas de dilatação são, precisamente, os elementos de projeto destinados a acomodar essas movimentações, evitando que tensões internas se acumulem e provoquem fissuras. Quando as juntas são omitidas ou executadas de forma incorreta, essas tensões não encontram alívio e se manifestam como fissuras ativas nas lajes, vigas e alvenarias.

Esse erro é particularmente comum em lajes de grandes dimensões, pisos industriais e fachadas com grandes planos contínuos de concreto. Nesses casos, as variações térmicas diárias e sazonais geram movimentações expressivas que, sem as juntas adequadas, inevitavelmente resultam em fissurações progressivas e de difícil controle a longo prazo.

⚠ Patologia gerada

Fissuras ativas e progressivas em lajes, pisos e fachadas, com tendência à reabertura mesmo após o tratamento se a junta não for corretamente instalada

✔ Como evitar

Prever as juntas de dilatação em projeto conforme a NBR 6118, executá-las no espaçamento e profundidade corretos e preenchê-las com selante elastomérico compatível com os movimentos esperados

05

Execução sem projeto estrutural formal

O erro mais grave — e surpreendentemente ainda muito comum no Brasil

Construir sem projeto estrutural — ou seguindo apenas croquis informais sem memorial de cálculo — significa que nenhuma seção foi dimensionada, nenhuma carga foi calculada e nenhuma armadura foi especificada com base em critérios técnicos. Nesse cenário, todas as decisões são tomadas empiricamente, com base na experiência do mestre de obras. Embora isso possa funcionar em estruturas muito simples, cria riscos sérios em edificações com cargas concentradas, grandes vãos ou solos difíceis.

Além do risco imediato, a ausência de projeto estrutural formal impossibilita o diagnóstico correto de patologias futuras — afinal, não há referência técnica sobre o que foi dimensionado. Por isso, qualquer intervenção de reforço posterior se torna muito mais complexa e custosa. Em outras palavras, a economia feita ao dispensar o projeto acaba sendo paga com juros altos ao longo da vida útil do imóvel.

⚠ Patologia gerada

Subdimensionamento de elementos estruturais, flechas excessivas, fissuras generalizadas e risco de colapso progressivo em caso de sobrecargas não previstas

✔ Como evitar

Contratar projeto estrutural completo com engenheiro habilitado e ART registrada no CREA antes do início de qualquer obra — independentemente do porte ou da aparente simplicidade da edificação

Atenção: a maioria desses erros não produz consequências visíveis de imediato — as patologias costumam surgir entre 3 e 15 anos após a execução. Por isso, edificações que aparentemente estão em bom estado podem estar acumulando deterioração oculta que só se manifestará quando atingir um ponto crítico. Nesse sentido, a inspeção predial periódica é a única forma de identificar esse processo antes que se torne uma emergência.

Custo de prevenir vs. custo de corrigir

Um dos argumentos mais concretos para investir em qualidade de execução é o comparativo econômico entre o custo de fazer certo desde o início e o custo de corrigir as patologias geradas por esses erros. Em todos os casos analisados, a diferença é expressiva — e, muitas vezes, surpreendente para quem acreditava estar economizando ao cortar atalhos no canteiro:

Erro cometido Custo de prevenção Custo de correção
Cobrimento insuficiente Espaçadores certificados: R$ 0,30–0,80/un. Recuperação de concreto com armadura exposta: R$ 800–2.500/m²
Excesso de água no concreto Aditivo plastificante: R$ 8–15/litro Reforço estrutural de viga ou laje subdimensionada: R$ 3.000–18.000/elemento
Cura inadequada Produto de cura química: R$ 12–25/m² Tratamento de fissuras e recuperação superficial: R$ 150–600/m²
Ausência de juntas Selante elastomérico: R$ 25–60/m linear Tratamento de fissuras ativas recorrentes: R$ 200–900/m linear
Obra sem projeto estrutural Projeto estrutural: R$ 25–80/m² de área Reforço emergencial de estrutura subdimensionada: R$ 15.000–150.000+

A obra já foi executada — e agora?

Se a obra já foi concluída e há suspeita de que algum desses erros foi cometido, o caminho correto não é aguardar que as patologias se manifestem. Pelo contrário, é possível — e altamente recomendado — realizar uma inspeção técnica preventiva para verificar a condição atual da estrutura e identificar precocemente qualquer processo de deterioração em andamento. Nesse sentido, a Lemarg Engenharia oferece um conjunto completo de serviços diagnósticos e corretivos:

  • Vistoria diagnóstica com laudo técnico e ART — avaliação in loco com identificação de patologias existentes e potenciais, devidamente classificadas por grau de risco
  • Ensaios não destrutivos — esclerometria, pacometria e carbonatação para avaliar a qualidade do concreto e a posição das armaduras sem necessidade de demolição
  • Projeto de reforço estrutural — quando necessário, elaboramos o projeto executivo de reforço adequado à patologia identificada, com memorial de cálculo e ART registrada
  • Execução do reforço — realização das intervenções por equipe especializada, com acompanhamento do engenheiro responsável do início ao fim da obra

Projeto estrutural: o investimento que mais se paga em uma obra

O custo de um projeto estrutural completo representa, em média, entre 1% e 3% do valor total de uma obra. No entanto, ele é responsável por prevenir patologias que, caso não sejam tratadas a tempo, podem consumir entre 10% e 40% do valor do imóvel em intervenções corretivas. Em outras palavras, nenhum outro investimento em uma obra apresenta retorno financeiro comparável ao de um bom projeto estrutural.

Memorial de cálculo
Detalhamento de armaduras
ART registrada no CREA
Compatibilização com arquitetura

Fontes e referências técnicas

ABNT NBR 6118:2023 — Projeto de Estruturas de Concreto — define os requisitos de cobrimento, cura, juntas, resistência e durabilidade das estruturas de concreto armado e protendido
ABNT NBR 12655:2022 — Concreto de Cimento Portland — estabelece os requisitos para preparo, recebimento, controle e aceitação do concreto em obra, incluindo controle do fator a/c
IBRACON — Instituto Brasileiro do Concreto — publica pesquisas e levantamentos sobre as principais causas de patologias estruturais em edificações brasileiras
IBAPE — Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia — referência em inspeção predial, perícias estruturais e classificação de anomalias em edificações
CONFEA / CREA-RJ — toda obra que envolva estrutura de concreto armado ou metálica exige responsável técnico habilitado com ART registrada; consulte antes de contratar

Sua obra foi executada sem acompanhamento técnico?

A Lemarg Engenharia realiza vistoria diagnóstica, ensaios não destrutivos e elabora laudos técnicos estruturais com ART — identificando precocemente patologias antes que se tornem emergências.

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LS
Autor do artigo
Leonardo Ferreira
Engenheiro Civil, Engenheiro de Segurança, Analsita Ambiental & Sócio-Administrador · Lemarg Engenharia
CREA-RJ Lemarg Engenharia Niterói, Rio de Janeiro
Lemarg Engenharia e Construções Ltda · Niterói, Rio de Janeiro
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